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domingo, 9 de dezembro de 2007

A comunhão espiritual - I


A comunhão espiritual - I

Noção

Com o nome de Comunhão Espiritual entende-se o piedoso desejo de receber a Eucaristia, quando não se pode recebê-la sacramentalmente.

"De duas maneiras adverte São Tomás pode-se receber espiritualmente a Cristo. Uma em seu estado natural, e desta maneira a recebem espiritualmente os anjos, enquanto unidos a Ele pela fruição da caridade perfeita e da clara visão, e não com a fé, como nós estamos unidos aqui (na Terra) a Ele. Este pão esperamos receber, também nós, na glória. Outra maneira de recebê-Lo espiritualmente é enquanto contido sob as espécies sacramentais, crendo n'Ele e desejando recebê-Lo sacramentalmente. E isto não só é comer espiritualmente a Cristo, mas também receber espiritualmente o sacramento" (III, 80, 2).

Das palavras finais do Doutor Angélico, deduz-se que a Comunhão Espiritual nos traz, de certo modo, o fruto espiritual da própria Eucaristia recebida sacramentalmente, ainda que não seja ex opere operato, mas unicamente ex opere operantis.

Excelência

Pela noção que acabamos de dar, já se pode vislumbrar a grande excelência da Comunhão Espiritual. Foi recomendada vivamente pelo Concílio de Trento (D 881), e tem sido praticada por todos os santos, com grande proveito espiritual.

Sem dúvida, constitui uma fonte ubérrima de graças para quem a pratique fervorosa e freqüentemente. Mais ainda: pode ocorrer que com uma Comunhão Espiritual muito fervorosa receba-se maior quantidade de graças do que com uma Comunhão Sacramental recebida com pouca devoção. Com a vantagem de que a Comunhão Sacramental não pode receber-se mais do que uma só vez por dia, e a Espiritual pode repetir-se muitas vezes.

Modo de fazê-la

Não se prescreve nenhuma fórmula determinada, nem é preciso recitar nenhuma oração vocal. Basta um ato interior pelo qual se deseje receber a Eucaristia. É conveniente, sem embargo, que abarque três atos distintos, ainda que seja brevissimamente:

a) Um ato de Fé, pelo qual renovamos nossa firme convicção da presença real de Cristo na Eucaristia. É excelente preparação para comungar espiritual ou sacramentalmente;

b) Um ato de desejo de receber sacramentalmente a Cristo e de unir-se intimamente com Ele. Neste desejo consiste formalmente a Comunhão Espiritual;

c) Uma petição fervorosa, pedindo ao Senhor que nos conceda espiritualmente os mesmos frutos e graças que nos outorgaria a Eucaristia realmente recebida.

Advertências

1) A Comunhão Espiritual, como já dissemos, pode repetir-se muitas vezes por dia. Pode fazer-se na igreja ou fora dela, a qualquer hora do dia ou da noite, antes ou depois das refeições.

2) Todos os que não comungam sacramentalmente deveriam fazê-lo ao menos espiritualmente, ao ouvir a Santa Missa. O momento mais oportuno é, naturalmente, aquele em que comunga o sacerdote.

3) Os que estão em pecado mortal devem fazer um ato prévio de contrição, se querem receber o fruto da Comunhão Espiritual. Do contrário, para nada lhes aproveitaria, e seria até uma irreverência, se bem que não um sacrilégio.

(Pe. Antonio Royo Marín, OP, "Teología Moral para Seglares Los Sacramentos - BAC, Madrid, 1984, pp. 245 a 247)
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